quarta-feira, 29 de junho de 2011

O sol que não se pôe!!! Ocorrência das regiões polares nos verões!

terça-feira, 28 de junho de 2011

A Ditadura Militar em Muriaé! Conclusões (6ª parte)

Concluímos com essa pesquisa que a cidade de Muriaé possuía uma balança política polarizada dentro do partido ARENA. Havia o ARENA I e o ARENA II. O ARENA I possuía na cidade uma base sócio-econômica nas oligarquias rurais do antigo PSD e o ARENA II baseava-se nas classes média e baixa urbana da antiga UDN.
A câmara municipal era composta hegemonicamente por vereadores de direita, raras as exceções. Favorecendo uma política sem muitos atritos ideológicos. A população de um modo geral era um reflexo da câmara, totalmente alienada pela ideologia dominante.
Em Muriaé, em meados do período militar começou a surgir o MDB formado por uma parte dos membros do ARENA II que se dividiu. Possuía uma postura mais contestadora ao regime militar, mas que veio a ter espaço mesmo na política da cidade somente após a vitória do emedebista Paulo Carvalho em 1983. (João Francisco, Agripino Torres e José Torres)
Havia dentro do MDB na década de 1970 uma pequena base política formada por um grupo de cativos das ideias comunistas, eram eles: João Francisco dos santos, José Torres, Lúcio Gusman, Edgard Miranda entre outros.
Esse grupo possuía atividades intelectuais em comum num sentido de crítica ao governo militar, mesmo sendo um grupo de pensadores sediciosos, tentaram algumas vezes mostrar suas ideias a partir de situações práticas, como artigos, cursos e greves.
Além desse grupo, citamos também a prisão do empresário Elcio Vidon e sua ligação ainda nebulosa com o grupo COLINA de BH. Fica no ar com o levantamento dessa pesquisa, a pergunta: onde era final do caminho daqueles que Elcio dava pernoite em sua casa, fugidos de Belo horizonte?
Cabe citar, que essa prisão de Elcio Vidon, foi um fato de ordem estadual. Quem o prendeu não foi a polícia militar da cidade, mas sim o exército. A polícia militar era passiva as contestações políticas na cidade, devidos a acordos feitos entre os membros do MDB, o que explica a tranqüilidade na cidade neste período tão turbulento no país. Não era falta de contestação que havia aqui, mas a presença de uma ideologia dominante e de acordos esquerdistas com a polícia militar local.
Fica após a realização dessa pesquisa mais um tijolinho da história da cidade de Muriaé construído. O período militar na cidade agora não está mais apagado como antes, podemos contemplar as disputas políticas no período e a contestação ao regime pela esquerda muriaeense.
Fonte: TCC- Cristian Gomes Lima - 2009

terça-feira, 21 de junho de 2011

Moção de repúdio ao extermínio de jovens em Muriaé!!! Conselho de Juventude!


     O Conselho Municipal da Juventude, através de sua diretoria executiva, do município de Muriaé, manifesta contra todas as formas de violência e extermínio de jovens ocorridas em território municipal neste ano de 2011.
Segundo o Instituto brasileiro de geografia e estatísticas em seu censo 2010, em Muriaé, foi totalizada a quantidade de 104.765 mil habitantes, dentre esse números 24.677 mil são considerados jovens de (15 a 29 anos), correspondente a 24,5% da população.
O Brasil é o sexto país no ranking de homicídios entre jovens. De acordo com o estudo do Mapa da Violência 2011, divulgado pelo Ministério da Justiça, a taxa de homicídio entre jovens de 15 a 24 anos subiu, em 1998, de 30 mortes por 100 mil habitantes para 52,9 mortes em 2008.
De acordo com o autor da pesquisa, Julio Jacobo, os homicídios são responsáveis por 39,7% das mortes de jovens no Brasil. O estudo aponta que as taxas mais elevadas, acima de 60 homicídios em cada grupo de 100 mil jovens, estão na faixa dos 19 aos 23 anos de idade.
Ainda de acordo com o mapa da violência do Ministério da Justiça de 2004/2006, na tabela 3.6, entre os 200 municípios com mais de 70.000 habitantes, Muriaé/MG ocupa o 28º lugar com maiores índices de vitimização juvenil
É importante considerar que o governo municipal e a sociedade civil, no início do ano legitimaram a criação do conselho municipal da juventude, como um instrumento legal na construção e na elaboração de políticas públicas que considerem as demandas e singularidades juvenis - como educação pública e a saúde -, políticas emergenciais – como a apresentação de novas chances aos jovens em situação de vulnerabilidade social -, e políticas específicas - que reconheçam e promovam o potencial e as particularidades da condição juvenil.
Com o COMJUV a implementação da Política Municipal de Juventude, possuirá uma das principais características, que é justamente a transversalidade,isto é, integra as mais variadas temáticas, conseqüentemente, conjugando as ações desenvolvidas pelas diversas áreas do governo. 
No Estado de violência objetivo do sistema capitalista a Juventude é uma das maiores vitimas das mortes por arma de fogo no Brasil, só no município em 2011 foram registradas 17 mortes dentre a maioria são jovens.
Diante de tais questões, a Executiva do Conselho Municipal da Juventude, manifesta repúdio ao extermínio, genocídio, a violência e todas as formas violações de direitos do jovem.
Em ano de conferência municipal da juventude, a ser realizada no dia 23 de agosto, dispomos-nos na luta contra a violência e extermínio de jovens e continuamos na defesa da equidade de Direitos, das Mulheres, Negros, Crianças, adolescentes, jovens, Homossexuais para que em um novo modelo de sociedade possamos desfrutar da terra, saúde, educação, cultura, a vida, a liberdade, afetividade e a manifestação de pensamento.

Sem mais.

Muriaé/MG, 20 de junho de 2011

Vinnicius Mendes Ventura
Presidente
Conselho Municipal da Juventude

domingo, 19 de junho de 2011

A Ditadura Militar em Muriaé! Esquerdas e a contestação na cidade (5ª parte)

          
        Nesse contexto demonstrado até agora, a pesquisa agora levanta algumas situações práticas de contestação acontecidas em Muriaé no período. Durante as entrevistas foram citados vários fatos, como: na década de 1970, essa que foi palco das contestações catalogadas por essa pesquisa, em que os professores João Francisco dos Santos e Francisco Bandeira (Xico), montaram no salão paroquial da Matriz São Paulo um cursinho com apoio do Pe. Jaime, na época vigário da matriz. Esse cursinho não possuía o alvará de funcionamento e era utilizado para propagação de ideias com margens de contestação ao modelo político militar.
            Este cursinho funcionou algum tempo até o dia em que a polícia militar de Muriaé deu uma batida de surpresa no local. Muitos dos que estavam fugiram, segundo João Francisco, alguns até pularam do segundo andar do salão paroquial, tamanho foi o susto da batida. Todos conseguiram fugir, e quem pagou mesmo foi o padre Jaime que segundo os relatos foi humilhado publicamente pelos militares. (João Francisco, 10/ 2008).
João Francisco dos santos ainda cita que dentro do partido comunista, em nível nacional já estava tudo certo para que ele e José Torres fossem lutar na guerrilha do Araguaia, porém por impasses dentro do partido local não houve a concretização do planejado.
            Houve também, por volta de 1969, o caso da prisão do empresário Elcio Vidon, na época proprietário de uma gráfica na Rua Barão do Monte Alto, denominada Gráfica Moderna. Esse empresário, muito envolvido emocionalmente com a política e grande admirador de João Goulart. Fazia leitura assídua de livros de cunho marxistas e possuía o costume, em pleno regime militar, de após lê-los, colocá-los a venda na vitrine de sua gráfica.
            Certa vez, uma militante do Grupo de esquerda Coalizão Libertadora Nacional – COLINA, de Belo Horizonte – Maria José de Carvalho Nahas, passeando na casa de alguns parentes em Muriaé, sua cidade de origem, passou em frente à Gráfica moderna e os livros chamaram sua atenção. Ela entrou na gráfica e perguntou quem que vendia aqueles livros de Marx tão expostos assim.
            Dessa forma, Elcio Vidon ficou conhecendo Maria José, que chegando a Belo Horizonte, logo partilhou com seu marido e líder do grupo já citado, Jorge Nahas, que se interessou em também conhecer Elcio Vidon com interesses de parcerias políticas, haja vista, ele partilhar da mesma ideologia do grupo.
            Segundo Elcio Vidon, Jorge esteve em Muriaé três vezes querendo selar um vínculo dele com o grupo. Elcio Vidon em nenhuma das vezes deixou claro participar, mas também não disse que não iria. A partir de então, Elcio relata que começou a receber visitas de jovens de BH em nome de Jorge Nahas, e segundo ele, como um bom mineiro os dava pernoite e alimentação, pois no outro dia eles tinham que continuar viagem em direção a cidade de Carangola.
            Assim, durante algum tempo, Elcio sem ciência exata do que estava acontecendo esteve num esquema de escoamento de militantes políticos de esquerda da capital mineira.
            A repressão na capital, no final da década de 1960, prendeu Jorge e Maria José Nahas, juntamente com outros militantes do grupo. Acredita-se, que através de tortura os militares chegaram à informação que Elcio ajudava o Grupo. Certo dia, Elcio nos relatou que estava trabalhando e um policial militar o intimou a comparecer com urgência na delegacia de polícia, que naquela época ficava no bairro do porto. Chegando lá, foi recebido por dois oficiais do exército, que a ele deu voz de prisão para investigação.
            Elcio foi levado para Belo Horizonte onde ficou preso durante um mês até que foi provado que ele não estava envolvido diretamente com o COLINA. Elcio Vidon não foi torturado.
            Foi citado também pelo professor José Torres, alguns artigos que eram feitos e divulgados através de panfletos artesanalmente produzidos, e em alguns casos publicados até em jornais da capital mineira.
            Esses artigos possuíam cunho esquerdista. Criticavam o governo militar em âmbito nacional estadual e municipal. Na cidade de Muriaé eram divulgados ilegalmente através de panfletos em locais estratégicos. Os autores desses textos se identificavam por pseudônimos.
            Outro evento contestador, citado por João Francisco, Agripino Torres e lembrado por Paulo Fraga, sem dúvida o que movimentou mais pessoas na cidade no período militar, foi a greve de professores da rede estadual de 1979, liderada pelos professores que neste trabalho dialogamos mais o professor Lucio Gusman. Aproveitando da movimentação este evento foi utilizado para serem propagadas ideias esquerdistas no meio intelectual muriaeense.
            Nesta ocasião aconteceu um fato bastante radical para o período, os professores fizeram um enterro simbólico dos políticos estaduais e municipais, queimaram seus nomes em praça pública entre outras formas de protestos com apoio da multidão reunida.
            Este fato, segundo Agripino Torres, não foi reprimido pela polícia devido a acordo previamente estabelecido. Inclusive, esses tipos de acordos eram muito comuns entre este grupo de esquerda e a polícia militar. Como por exemplo, quando o ícone esquerdista brasileiro Luis Carlos Prestes esteve em Muriaé dando uma palestra. O comando da polícia militar foi convidado para participar e esteve presente no evento se mostrando cativos das ideias de Prestes.
            Segundo Agripino, tudo que iria acontecer mais publicamente organizado pelo grupo era comunicado previamente à polícia que dava suas instruções e todos obedeciam. Segundo ele era um respeito mútuo que existia.
            Agripino ainda cita que na verdade esse grupo de esquerda na cidade não era um grupo prático, mas sim, sedicioso: “Nós éramos um grupo de pessoas que pensávamos coisas em comum, desejávamos o fim do regime militar e o crescimento do MDB na política muriaeense – éramos pensadores” (Agripino Torres – 31/10/2009)
            Como citado acima por Agripino, as ações de esquerda não eram efetivas e nem objetivo do grupo. Não havia a prática da contra-revolução na cidade. 
Fonte: TCC- Cristian Gomes Lima- FAFISM - 2011

sexta-feira, 17 de junho de 2011

IPTU em Muriaé com 100% de aumento! Não pode!


O povo de Muriaé não pode aceitar esse aumento passivamente! 

O que será que aconteceu com a boa administração? 


O gráfico do IBGE mostram as finanças do município equilibradas conforme a lei! 

Muriaé

  • 56.7%
  • 43.3%
  • Receitas104.168.803
  • Despesas79.465.652
Minas Gerais
  • 55.5%
  • 44.5%
Brasil
  • 54.9%
  • 45.1%
LEGENDA: Verde escuro: Receita / Verde claro: Despesas


??????????

Vamos economizar os gastos públicos governo. Não pode pesar toda bomba em cima do povo assim não!


Cristian Lima

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Programa Missão Pedagógica no Parlamento!


  Professores interessados em aprender e socializar saberes sobre como fortalecer a escola por meio de práticas democráticas e cidadãs podem se inscrever no Programa Missão Pedagógica no Parlamento. Desenvolvido pelo Centro de Formação, Treinamento e Aperfeiçoamento da Câmara dos Deputados, o programa vai selecionar 54 professores de todo o Brasil – dois de cada estado e do DF - para participar de um treinamento que vai abordar temas relativos às instituições democráticas, cidadania, política e educação para democracia nas escolas.
   Os docentes participarão de aulas dialogadas, palestras, visitas, oficinas pedagógicas, oficinas temáticas e rodas de conversa, privilegiando sua participação ativa, a integração entre a teoria e a prática e a troca de experiências. A Câmara vai arcar com as seguintes despesas dos participantes: passagem aérea de ida e volta (Estado de origem/Brasília/Estado de origem); hospedagem em hotel; alimentação durante a realização do programa e traslado entre o hotel e o local de realização das atividades do programa. Os locais de hospedagem e alimentação serão determinados pela Casa.
   Para participar, o candidato deve mandar para a Câmara dos Deputados os seguintes documentos: ficha de inscrição e declaração de compromisso; cópia do documento de identidade oficial e do CPF; cópia do diploma, certificado ou declaração de conclusão do curso de graduação em nível superior; declaração de tempo de serviço e relato de experiência pedagógica na qual tenha trabalhado com seus alunos temas relacionados à democracia, cidadania ou política.
   O programa acontece entre os dias 2 e 8 de outubro de 2011, com início das atividades às 8h e término às 20h. O resultado da seleção estará disponível no site da Educação Legislativa da Câmara dos Deputados . Acesse a página do Programa Missão Pedagógica no Parlamento onde estão disponíveis: edital, ficha de inscrição, termo de compromisso, declaração de tempo de serviço e declaração de participação em Conselho.
Serviço
Programa Missão Pedagógica no Parlamento
Inscrições: até 22 de julho
Mais informações: Coordenação de Educação para a Democracia.
E-mail: nudem.cefor@camara.gov.br / telefones: (61) 3216-7618 ou
(61) 3216-7619

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Poema - Aninha e suas pedras

Não te deixes destruir...
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.

Cora Coralina (Outubro, 1981)

terça-feira, 14 de junho de 2011

Show da banda Rosa de Saron em Muriaé!!! Veja nosso Comentário!


    Esse grupo trouxe um novo paradigma para música religiosa no Brasil. Vale a pena ver o trabalho feito pela banda. Não possuem caráter dogmático e nem "enfiam Deus guela a baixo" de quem os escutam. São letras que trazem as reflexões que faltam nas músicas de mercado que vemos serem produzidas atualmente. 
   Talvez seja por isso que nos últimos dois anos os recordistas de vendas de "discos" são os representantes dese gênero musical.
     Seja bem vindo o Rosa de Saron com sua arte!
Cristian Lima

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Axé Muriaé! ... Veja nosso comentário!





Infelizmente não deu pra ir no evento. Considero isso tudo cultura. E é importante para a cidade esse tipo de entretenimento.
...
Mas achei muito engraçado o pessoal sentindo frio com os abadas - camisetas. Nos dias do evento a média de temperatura em Muriaé foi de 18° C. Será que custava muito ir com blusa de frio por cima gente? rs.
...
Onde será que a coerção social ainda vai nos levar?
...
Os consultórios médicos vão ficar repletos dos resfriados da galera.
...
Será que somos pensantes?
...
Mas acima de tudo houve diversão, né! É isso que importa!

Cristian Lima

sábado, 11 de junho de 2011

Ciclovia em Muriaé! Os ciclistas merecem mais!

Pintaram a borda da rocha. Lindo.
 Pista irregular

    Há aproximadamente um mês e meio comecei a andar de bicicleta na cidade de Muriaé. Tenho observado algumas coisas quando a falta de respeito ao ciclista. Porém, não quero me ater à desconsideração que ciclistas sofrem por parte de automóveis e motocicletas no trânsito. 
    Algo decepcionou os ciclistas da cidade: a ciclovia da BR 356. Quem passa por ela cansa muito mais que no asfalto da BR devido a irregularidade da pavimentação. "A bicicleta fica quicando o tempo todo." É terrível. 
    Se não concertarem o serviço, infelizmente a passagem pela ciclovia não vai entrar para cultura do ciclita que passa por ali. Irá sim, se tornar uma obra inútil.
    Quero lembrar também de algo que já falei aqui no blog há algum tempo: a rocha no meio da ciclovia. (foto acima). 
Parece até que estão de brincadeira com o povo. 

   É melhor acreditar que a obra ainda não acabou né... eles ainda vão arrumar esses detalhes importantes.

Cristian Lima

A seleção dos cursos de História, Geografia e Letras vence a segunda no campeonato interclasse da FAFISM - Muriaé!


      No primeiro jogo contra o 1° ano de ADS o time ganhou de virada por 3X2. Hoje, contra o time de Ciências exatas, a vitória foi de 4X2, também de virada. O time que ano passado perdeu todas no campeonato, conta com alguns reforços e já está sendo considerado o azarão do evento. 
Parabéns a todos!
Cristian Lima

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Curioso...

Para refletir!

A Ditadura Militar em Muriaé! A conjuntura política do período na cidade (4ª parte)


            Paralelo a este crescimento econômico, movimento demográfico e estagnação cultural, vamos observar a política muriaeense que também em passos largos esteve acompanhando esse crescimento. Muriaé a partir de então não vai deixar de eleger representantes políticos em âmbitos: estadual e federal. Realidade essa, que deixou a cidade politicamente em harmonia com o regime militar e proporcionou certa fluidez política. Essa política harmônica se dava pela hegemonia da direita na cidade. Porém, não era tão simples assim, havia uma esquerda minoritária, mas atuante, que em alguns momentos chegou a pleitear a prefeitura. Planejavam contestações de todas as formas.
            João Francisco contou que a política da cidade foi polarizada pelos antigos PSD (Partido Social Democrático) e UDN (União Democrática Nacional). Após o ato institucional N°2, criou-se o bipartidarismo: a ARENA e o MDB, o Primeiro era o partido do governo e o segundo reuniu toda a oposição legal, ou seja, aquela que estava sob os olhos repressores do governo. Muriaé possuía representação nos dois partidos, mas a ARENA era muito mais presente por acolher o PSD e UDN. A ARENA teve aspectos bem peculiares na cidade, se subdividindo em dois grupos, o primeiro apelidado de Poaia ou Arena I (antigo PSD, que em outros lugares do país seria oposição aos militares, em Muriaé foi aliado) que durante o período militar elegeu seus correligionários, como Hélio Alves Araújo e João Braz. Neste grupo é importante citarmos seu grande líder Pio Canêdo, que era referenciado no período. O outro grupo dentro da ARENA era o Goteira ou Arena II (antiga UDN, que em outros lugares do país seria aliado aos militares, em Muriaé foi “oposição”) que durante o regime elegeu Paulo Fraga em 1974 e Paulo Carvalho em 1983.
            Deve-se considerar que apesar dessa polarização da ARENA, não significa que o MDB não existia, apesar de poucos membros teve atuação importante na cidade a partir da década de 1970, sempre em uma óptica contestadora. O MDB, com menos relevância no período em relação aos dois já citados, concentrava suas bases no PCdoB (Partido comunista do Brasil), em alguns membros da antiga UDN e do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), mas principalmente com ideologia do primeiro e segundo, haja vista, a base política do PTB no período anterior ao regime militar ser na classe operária urbana – o que não havia em Muriaé. O partido também tentou a prefeitura uma vez na década de 1970, na pessoa do Professor João Francisco dos Santos e na vice-prefeitura Agripino Torres, mas sem sucesso.
            Se perguntado a uma pessoa comum do período, ela irá responder que não existiu contestação. Vagamente era a presença do MDB em Muriaé. Naturalmente vão dizer que os Goteiras ou Arena II era a esquerda. Podemos dizer que foi criada uma balança política forjada, com origens em rivalidades tradicionais, ou melhor, em oligarquias rurais da primeira metade do século XX.
Fonte: TCC - Cristian Gomes Lima - 2009

domingo, 5 de junho de 2011

Dia do Meio ambiente! Uma reflexão.










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Fotos: Clélio Jr.

A Ditadura Militar em Muriaé! A cidade no período. (3ª parte)


            
            Muriaé, cidade localizada na zona da mata mineira. Geograficamente próxima a Juiz de Fora, lugar de onde saíram as primeiras tropas para a tomada do governo de Jango em 1964.
            Apesar dessa proximidade com essa localidade estratégica do regime militar, nenhum estudo historiográfico foi ainda feito priorizando alguma relação entre as duas cidades neste momento político. Nem com relação à Guerrilha do Caparaó, em fim, são muito pobres os estudos em história da cidade no período militar.
            Muriaé, uma cidade de clima quente e relevo montanhoso. Hoje é um grande pólo econômico e político regional. Esse posto ocupado atualmente pode ser explicado a partir da década de 50, com o governo de JK e posteriormente com o militar, onde ocorreu uma importante mudança na infra-estrutura dos transportes para escoamento de produções interioranas. A partir de então, as ferrovias, que movimentaram a economia do país desde fins do século XIX, começavam a serem substituídas por rodovias. Nessa mudança a cidade foi privilegiada, pois passou a ser cortada por duas das mais importantes rodovias do país, a BR 116 e a 356.
            José Torres e Paulo Fraga, entre outros, relataram que a economia da cidade baseava-se nos setores primários e terciários. No primeiro através da agricultura do arroz, milho, hortaliças, entre outros; no segundo, predominava a prestação de serviço urbana, como: mecânicas, peças, transportes, comércio, entre outros. Este último setor era movimentado principalmente pelas rodovias.
            A maioria da polução da cidade era residente da zona rural, mas já viviam o processo de êxodo rural, na esperança de melhorias na qualidade de vida através da prestação de serviço.
            Diante de toda essa importância remetida à cidade de Muriaé e de seu crescimento econômico ter sido mais acentuado neste momento histórico, é visto, de grande importância mais estudos de sua economia para a devida compreensão. Mas, como este não é o objetivo da análise deste trabalho será a economia deixada para outra oportunidade, e serão considerados estes dados simplificados citados em caráter contextualizador.
A cidade não possuía grande tradição no campo da cultura, respirava apenas o crescimento econômico, alias realidade essa que até hoje é pertinente sua reflexão. O cultural ainda é secundário – sempre foi meta de nossos líderes a prosperidade econômica.  Mas, ainda assim haviam algumas instituições e grupos de fomento como: cineclube, Faculdade Santa Marcelina, escolas estaduais. E a igreja católica era a grande formadora de opiniões.
Muriaé era uma típica cidade mediana do interior de minas.  
Fonte: TCC - Cristian Gomes Lima - 2009

sexta-feira, 3 de junho de 2011

A Ditadura Militar em Muriaé! Contextualização - as esquerdas no Brasil. (2ª parte)

    
 (...)       
          Haja visto este trabalho enfocar uma analise da esquerda, se torna de fundamental importância conhecer mais afundo suas ideologias e trajetórias no Brasil.
            O que então viria a ser considerada esquerda na política brasileira no século XX? 
         O socialismo no século XX foi de forma relevante formador e impulsionador das esquerdas da América latina. E com o Brasil não foi diferente. A primeira forma de esquerda organizada no Brasil foi através do Partido Comunista do Brasil, o PCB, que desde meados dos anos 20, já faziam parte da conjuntura política nacional, mesmo que fosse de forma bastante minoritária.
            Com a revolução de 30 e a entrada de Vargas no poder, os comunistas começaram a serem perseguidos, pois simbolizavam uma ameaça socialista no país. (Ao longo do século XX no país o comunismo foi demonizado, por forças ideológicas internas, através de influências externas). Começava assim, a criar nas massas uma mentalidade de ojeriza aos comunistas, essa imagem que ficou impregnada nos cativos desta idéia ao longo de boa parte do século XX no Brasil.
            Mas, como a política dá voltas e as vezes se torna inexplicável. Na década de 50, vamos ver Vargas em seu governo democrático aliado ao PCB. Grande paradoxo político, que nos faz questionar e nos ajuda a entender o que realmente havia de rivalidade entre um e outro, ou se essa rivalidade era mesmo de Vargas e não dos militares? (GORENDER, in: FORTES, 2005: 163-172)
            Igual já citado, os militares, após a chamada Era Vargas (1930-1945), tiveram uma voz muito forte na política brasileira e foram substancialmente influenciados pelos Estados unidos, principalmente no pós-guerra, no contexto da guerra fria, que implícita e/ou explicitamente lutavam capitalismo versos socialismo, incorporados respectivamente nos Estados Unidos - EUA e União das Repúblicas Socialistas Soviéticas – URSS. (REIS, 2005: 20)
            Acredita-se, que diante dessas explicitações, fica bem claro e fácil entender, que não havia nada entre Vargas e o socialismo. Quem sempre esteve nessa richa contra as esquerdas socialistas brasileiras foram os militares, que quando se viram ameaçados pelo primeiro governo esquerdista socialista no Brasil, o de João Goulart em 1964, logo deram o golpe de estado, e assumiram o poder.
            Ao longo dos 20 anos que seguiram à implantação do governo militar, a esquerda brasileira foi reprimida violentamente e silenciada, assim como os militares sempre quiseram fazer. Na década de 70 o PCB veio a acabar finalizando o seu ciclo na esquerda brasileira.
            Após o fechamento do PCB irão surgir outras representações da esquerda, como: o Partido Comunista do Brasil - PCdoB e o Partido dos Trabalhadores – PT. (GORENDER, in: FORTES, 2005: 163-172)
            Podemos, no tocante a cidade de Muriaé no período militar, identificar a esquerda a essa nova geração esquerdista do PCdoB, do PMDB – antigo MDB e do PT. 

Fonte: TCC - Cristian Gomes Lima - História 2009 - FAFISM