terça-feira, 29 de maio de 2018

Crise brasileira de 2018. Tem algo bom aí, que ninguém está vendo!

Qual seria uma possível solução para a crise no Brasil?
    
   Em primeiro lugar, quem estiver oferecendo uma solução simples e rápida para os problemas do Brasil, está nos enganando e enganando a si mesmo. Enquanto historiador, sei que mudanças efetivas na realidade de um país demoram anos, décadas, etc... Fato é que a população está com um sentimento de desespero, todos querendo uma solução rápida, afinal ninguém quer sofrer, mas, pelo contrário, prosperar.
   As opções para a solução são inúmeras, às vezes, começam de um jeito, no meio do caminho viram duas, três e quatro entre tantas ideias diferentes. Fato é que nenhuma seria rápida, nesse ano ou no outro... 
    Até o momento tenho pensado no seguinte:
   Para quem estudou um pouco de História do Brasil, deve saber que a corrupção nos acompanha desde quando os Portugueses desembarcaram por aqui e trouxeram a ideia de organização estatal. Junto com essa corrupção, sempre houve, como resultado, a ineficiência da coisa pública, bem como o privilégio de determinada classe em função de outra, a maioria.
   Nesse sentido, olhando para o processo histórico, as coisas não mudaram muito. A corrupção sempre esteve velada e, ao mesmo tempo, escancarada. Vamos pegar na República: A Primeira República era literalmente governada pelos esquemas do coronelismo e da política dos governadores, controlados pelas oligarquias agrárias. Vargas foi um ditador populista. Populista também foi JK. Em 1960, a campanha de Jânio Quadros tinha como símbolo a vassourinha, que iria varrer a corrupção do país. Inclusive no período militar, a corrupção não acabou, tanto é que os militares, até hoje, não liberam todos os arquivos do período de seu governo para historiadores pesquisarem. Nesse período, a desigualdade social em nosso país bateu recordes. Collor ganhou campanha, falando que iria acabar com os marajás. O governo do Fernando Henrique foi marcado pelas CPIs que sempre terminavam em pizza. O governo Lula, apesar dos feitos sociais, deu no que deu (quando falo governo Lula, incluo Dilma).
    Nesse contexto, vejo o momento em que vivemos com bons olhos e explico: após a lei da transparência sancionada em 2009, o brasileiro, pela primeira vez na história, teve fácil acesso, ou teve acesso aos gastos realizados pelo governo... De imediato, não se obteve nenhum retorno grandioso em relação ao controle social, mas agora, dez anos depois, já se veem algumas questões de corrupção expostas de forma bem evidenciada. E digo mais: surgiram mecanismos jurídicos para investigar políticos, ao ponto de revelar que o estado brasileiro é regido por uma troca de favores entre políticos e o interesse do poder privado...     Isso não é novidade na História do Brasil, mas agora podem-se evidenciar as práticas de corrupção para abertura de processos criminais e, pela primeira vez na história do país, se veem políticos, realmente poderosos, presos pela justiça. Cito Eduardo Cunha e Lula como exemplos. Isso, há pouco tempo atrás, era impensável.
   Como resultado, vemos os primeiros passos na construção de um país onde todos pagam por seus crimes. Em decorrência disso, a população, sabendo de todos os esquemas do sistema político-privado de corrupção (detalhe: todos já sabiam disso), chega ao extremo da paciência e começa a se manifestar contra a classe política, desmoralizada.
   Em meio a isso, a sensação de desgoverno se torna muito grande e a população sente na pele os reflexos disso e, de forma desesperada e despreparada, pede soluções rápidas, mesmo que envolvam violência, como é o caso da intervenção militar.
  Aliados ao combate da impunidade, temos que nos esforçar para que novos políticos subam ao poder no lugar dos velhos grupos viciados nesse velho sistema do Estado brasileiro.
   Também devemos cobrar desse novo governo um esforço grande a fim de que a educação seja realmente prioridade para a formação de uma nova sociedade brasileira no futuro, onde a corrupção não seja comum e, pelo contrário, seja ojerizada e, se possível, definitivamente banida.
   Não que essa seja uma solução, mas talvez ela já tenha começado a ocorrer, principalmente no tocante à impunidade. Já quanto à escolha de novos políticos e a priorização da educação, isso depende de cada um de nós.

Cristian Lima 

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